O mercado de aluguel de veículos elétricos no Brasil começa a ganhar relevância dentro de uma transformação mais ampla do setor de locação e da mobilidade.
Automóveis eletrificados já aparecem com maior frequência nas compras das locadoras, enquanto motocicletas também ganharam participação expressiva nas frotas de aluguel. Ao mesmo tempo, bicicletas elétricas, scooters e outros veículos leves podem criar modelos de locação voltados a turismo, delivery, mobilidade urbana, empresas e grandes propriedades.
Entretanto, administrar uma frota de aluguel exige mais do que comprar veículos. É necessário planejar utilização, carregamento, manutenção, peças, segurança, disponibilidade, depreciação e renovação da frota.
1. O setor de locação de veículos alcançou escala recorde no Brasil
O mercado brasileiro de locação possui uma estrutura relevante dentro da indústria de mobilidade.
Segundo o Anuário ABLA 2026, as locadoras encerraram 2025 com uma frota de 1.717.848 automóveis e comerciais leves.
Isso representou crescimento de 6,2% em relação ao ano anterior.
O faturamento total do setor chegou a R$ 61,7 bilhões em 2025, enquanto as empresas investiram R$ 79,3 bilhões na aquisição de novos automóveis.
Esses números abrangem o setor de locação como um todo e não representam exclusivamente veículos elétricos.
2. A eletrificação já aparece nas compras das locadoras
Dentro desse mercado maior, os veículos eletrificados apresentaram avanço significativo.
De acordo com a ABLA, as locadoras emplacaram 20.475 automóveis e comerciais leves eletrificados em 2025.
O volume foi 159% superior ao registrado em 2024.
As locadoras responderam por 8,3% dos emplacamentos desse segmento no período.
Esses dados incluem diferentes tecnologias de eletrificação e, portanto, não devem ser interpretados como 20.475 automóveis exclusivamente 100% elétricos.
3. O crescimento ocorreu a partir de uma base menor
Os dados do ano anterior ajudam a mostrar a velocidade dessa evolução.
Segundo o Anuário ABLA 2025, as locadoras terminaram 2024 com 14.951 automóveis e comerciais leves eletrificados em suas frotas, crescimento de 77,4% em relação a 2023.
Naquele ano, foram emplacadas 7.895 unidades eletrificadas zero quilômetro pelas empresas do setor.
Desse total adquirido em 2024, 54,2% eram veículos híbridos.
Essa composição é importante porque mostra que “eletrificado” e “100% elétrico” não são sinônimos.
4. O mercado de locação vai além dos automóveis
O aluguel de veículos no Brasil também inclui motos, caminhões, ônibus e outros meios de transporte.
A ABLA contabilizou 37.047 locadoras ativas no país em janeiro de 2026.
Desse total, 9.524 atuavam com outros meios de transporte, como caminhões, ônibus, motos e outras categorias.
Isso mostra que o conceito de locação é mais amplo do que o tradicional aluguel de automóveis em aeroportos.
5. As motocicletas ganharam espaço nas frotas das locadoras
Um dos movimentos mais relevantes ocorreu no segmento de motocicletas.
Segundo a ABLA, a frota de motocicletas das locadoras atingiu 263.330 unidades em 2025, crescimento de 81,6% em relação ao ano anterior.
A associação também registrou aumento de 81% nos emplacamentos de motocicletas realizados por locadoras durante 2025.
Os dados abrangem motocicletas de diferentes sistemas de propulsão e não indicam que todas essas unidades sejam elétricas.
Ainda assim, a expansão demonstra que o modelo de aluguel de veículos de duas rodas já possui presença relevante dentro do setor.
6. Ainda não existe uma estatística nacional equivalente para aluguel de bicicletas e scooters elétricas
É importante estabelecer um limite nos dados disponíveis.
As estatísticas públicas da ABLA permitem acompanhar automóveis, comerciais leves, motocicletas e outras categorias do setor, mas não fornecem uma série nacional equivalente que permita afirmar com precisão quantas bicicletas elétricas ou scooters elétricas estão atualmente em frotas de aluguel no Brasil.
Por isso, o crescimento dos automóveis eletrificados ou das motocicletas de locadoras não deve ser apresentado como se representasse diretamente o mercado nacional de aluguel de e-bikes e scooters elétricas.
7. O aluguel pode assumir diferentes modelos de negócio
Uma empresa pode estruturar locação de veículos elétricos de diferentes maneiras.
Entre os modelos possíveis estão:
- aluguel por hora;
- aluguel diário;
- aluguel semanal;
- contratos mensais;
- assinaturas;
- locação para empresas;
- locação para delivery;
- locação turística;
- frotas compartilhadas.
Cada modelo exige uma estrutura operacional diferente.
8. A terceirização de frotas é uma parte importante do setor
Segundo a ABLA, 54% da frota de automóveis e comerciais leves das locadoras estava vinculada ao segmento de Gestão e Terceirização de Frotas — GTF em janeiro de 2026.
Esse segmento inclui contratos de longa duração para empresas privadas e órgãos públicos, além de veículos por assinatura para pessoas físicas.
Os outros 46% estavam no modelo Rent a Car — RAC, associado principalmente a locações de curta duração, turismo, viagens de negócios e motoristas de aplicativos.
Essa divisão mostra como o aluguel também pode funcionar como uma solução empresarial de longo prazo.
9. Empresas de aluguel podem atender operações de delivery
Delivery é uma das aplicações possíveis para frotas de veículos leves.
Uma locadora pode fornecer veículos a entregadores individuais, operadores logísticos ou empresas que preferem não adquirir diretamente toda a frota.
Nesse modelo, quilometragem elevada e utilização intensiva tornam manutenção e disponibilidade particularmente importantes.
Veja também Veículos Elétricos em Operações de Delivery.
10. Turismo pode criar outra aplicação para veículos elétricos
Destinos turísticos podem utilizar diferentes modelos de locação.
Dependendo da infraestrutura, regras locais e características do veículo, bicicletas elétricas e outros veículos podem ser considerados para deslocamentos de visitantes.
Hotéis e resorts também podem desenvolver operações próprias ou trabalhar com parceiros especializados.
Veja Operações de Turismo.
11. Resorts e grandes propriedades apresentam um ambiente diferente
Uma operação de aluguel dentro de um resort ou propriedade privada possui características diferentes de uma locação para circulação urbana.
O gestor pode controlar:
- rotas;
- estacionamento;
- pontos de carregamento;
- horários;
- velocidades internas;
- procedimentos de entrega e devolução.
Isso pode permitir um modelo operacional mais controlado, desde que as características do local e do veículo sejam adequadas.
12. A utilização é uma das principais variáveis econômicas
Um veículo parado continua representando capital investido.
Por isso, uma locadora precisa acompanhar a taxa de utilização da frota.
Se um veículo permanece disponível para aluguel durante longos períodos sem demanda, sua rentabilidade pode ser afetada.
Por outro lado, utilização muito intensa pode acelerar desgaste e aumentar necessidades de manutenção.
13. Precificação precisa considerar o ciclo completo do ativo
Segundo a ABLA, a formação de preços no setor está se tornando mais sofisticada à medida que aumentam os custos dos veículos, despesas financeiras, manutenção, tributos, seguros e oscilações no mercado de seminovos.
Para uma operação com veículos elétricos, a análise também pode considerar:
- energia;
- bateria;
- carregadores;
- infraestrutura;
- peças específicas;
- tempo de indisponibilidade.
A diária ou mensalidade precisa ser compatível com o custo total da operação.
14. Bateria é um ativo importante para uma locadora elétrica
A bateria influencia autonomia, disponibilidade e valor do veículo.
Uma empresa de aluguel pode acompanhar:
- quilometragem;
- ciclos de utilização;
- comportamento de carregamento;
- autonomia observada;
- condição da bateria;
- histórico de manutenção.
Esse acompanhamento se torna mais importante conforme aumenta o tamanho da frota.
15. Carregamento precisa ser compatível com a rotatividade
Uma locadora precisa devolver o veículo à condição operacional antes do próximo cliente.
Por isso, o carregamento deve ser integrado ao processo de devolução, inspeção, limpeza e preparação.
Uma operação pode organizar carregamento:
- durante a noite;
- entre locações;
- durante manutenção;
- em períodos de menor demanda.
O tempo necessário depende do veículo, bateria e carregador.
16. Baterias removíveis podem criar outra lógica operacional
Em veículos projetados para utilizar baterias removíveis, a locadora pode organizar o carregamento separadamente do veículo.
Isso pode ser relevante em operações de alta rotatividade.
Entretanto, uma estratégia desse tipo exige controle sobre compatibilidade, identificação das baterias, estado de carga, armazenamento e segurança.
17. Manutenção preventiva protege a disponibilidade da frota
Veículos alugados podem ser utilizados por diferentes condutores e em condições variadas.
Uma inspeção estruturada entre locações ajuda a identificar desgaste e danos antes da próxima utilização.
A rotina pode incluir:
- pneus;
- freios;
- iluminação;
- suspensão;
- controles;
- bateria;
- carregador;
- estrutura do veículo.
Consulte o Guia de Manutenção de Frota.
18. Peças de reposição podem reduzir o tempo de veículo parado
Quando uma unidade precisa aguardar uma peça, ela deixa de gerar receita durante esse período.
Para frotas maiores, manter determinados componentes de desgaste disponíveis pode reduzir o tempo necessário para manutenção.
A estratégia de estoque deve considerar modelo, quantidade de veículos e frequência de substituição.
Veja Peças para Veículos Elétricos.
19. Padronização pode simplificar uma frota de aluguel
Uma locadora que utiliza muitos modelos diferentes pode precisar administrar diferentes baterias, carregadores, pneus, freios e componentes.
Padronizar parte da frota pode simplificar:
- manutenção;
- treinamento;
- peças;
- carregamento;
- documentação;
- gestão de ativos.
Isso não impede a existência de categorias diferentes para aplicações diferentes.
20. A experiência do cliente também faz parte da operação
Clientes que nunca utilizaram determinado veículo elétrico podem precisar de orientação antes da entrega.
A locadora pode estabelecer procedimentos para explicar:
- acionamento;
- frenagem;
- carregamento;
- autonomia;
- estacionamento;
- equipamentos de segurança;
- regras de utilização.
Um processo de entrega consistente pode reduzir erros de operação.
21. Rastreamento e gestão digital podem ajudar a proteger os ativos
Dependendo do veículo e da solução utilizada, GPS e plataformas de gestão podem ajudar a acompanhar localização, quilometragem e utilização.
Para uma locadora, essas informações podem apoiar manutenção, recuperação de ativos e análise de utilização.
Veja Conectividade e Tecnologia em Veículos Elétricos.
22. Regulamentação precisa ser verificada antes de colocar o veículo para aluguel
Uma locadora precisa entender em qual categoria cada veículo está enquadrado.
Bicicletas elétricas, equipamentos de mobilidade individual autopropelidos, ciclomotores, motocicletas e motonetas possuem requisitos diferentes.
A classificação influencia aspectos como equipamentos obrigatórios, circulação, registro, licenciamento e habilitação quando aplicáveis.
Consulte Regulamentação da Mobilidade Elétrica.
23. O nome comercial “scooter elétrica” não determina a classificação legal
Para uma empresa de aluguel, essa distinção é especialmente importante.
Diferentes veículos comercializados como scooters podem possuir potência, velocidade, dimensões e características muito diferentes.
A classificação deve considerar as características técnicas originais do veículo e as regras aplicáveis, e não apenas o nome utilizado comercialmente.
24. Seguro, responsabilidade e procedimentos precisam fazer parte do modelo
A locadora também precisa definir como serão tratados riscos associados ao uso do veículo.
Isso pode envolver seguro quando aplicável, identificação do cliente, contrato, inspeção de entrega e devolução, registro de danos e procedimentos em caso de acidente ou falha.
As exigências podem variar conforme categoria do veículo, modelo de negócio e condições contratuais.
25. Valor residual influencia a rentabilidade da locação
Uma locadora não precisa analisar apenas quanto custa comprar e operar um veículo.
Também é importante estimar o valor do ativo no momento da renovação da frota.
Idade, quilometragem, condição, bateria, histórico de manutenção e demanda no mercado secundário podem influenciar esse resultado.
Em tecnologias mais recentes, esse fator merece acompanhamento contínuo.
26. Projetos piloto podem reduzir riscos
Antes de comprar dezenas de unidades de um novo tipo de veículo, uma locadora pode testar um grupo menor.
O piloto pode medir:
- demanda;
- taxa de utilização;
- quilometragem;
- autonomia;
- manutenção;
- tempo de carregamento;
- danos;
- experiência dos clientes;
- receita por unidade.
Os resultados ajudam a decidir se a frota deve ser ampliada.
27. Expansão precisa acompanhar demanda comprovada
Uma frota muito pequena pode limitar disponibilidade, enquanto uma frota excessivamente grande pode deixar capital parado.
A expansão pode ser realizada em etapas, acompanhando utilização e desempenho financeiro.
Também é importante garantir que carregamento, manutenção e estoque de peças cresçam junto com a quantidade de veículos.
28. Estoque local pode facilitar projetos de locação
Para empresas que precisam implantar múltiplas unidades, prazo de fornecimento influencia o planejamento.
A ZORYKEN mantém estoque local em São Paulo dos produtos atualmente disponíveis no Brasil, com possibilidade de retirada local.
Quantidade, configuração e cronograma de fornecimento devem ser confirmados para cada projeto.
29. Oportunidades de aluguel vão além do consumidor individual
Uma empresa de locação pode atender diferentes grupos:
- turistas;
- entregadores;
- empresas;
- hotéis;
- resorts;
- condomínios;
- operações logísticas;
- eventos;
- campi;
- grandes propriedades.
Isso permite desenvolver modelos B2C, B2B ou uma combinação dos dois.
Veja também Soluções para Empresas de Aluguel.
30. O mercado de aluguel elétrico depende de gestão de ativos
Os dados mais recentes da ABLA mostram duas tendências importantes no Brasil: o setor de locação continua crescendo e os veículos eletrificados estão aumentando sua presença nas compras das locadoras.
Ao mesmo tempo, a forte expansão das motocicletas nas frotas de aluguel mostra que o modelo de locação já está se diversificando além dos automóveis.
Para bicicletas elétricas, scooters e outros veículos leves, ainda é necessário evitar conclusões sobre tamanho nacional do mercado sem uma base estatística equivalente.
Para uma empresa que pretende desenvolver esse negócio, o ponto central é construir uma operação capaz de administrar todo o ciclo do ativo:
aquisição → preparação → locação → carregamento → inspeção → manutenção → peças → nova locação → renovação da frota.
A ZORYKEN atende projetos B2B com diferentes categorias de veículos elétricos e pode apoiar empresas que estejam avaliando compras em volume para operações de aluguel, turismo, mobilidade empresarial e frotas.






